sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Pérolas de 2017

Como tinha dito, este ano, nós, as crianças e eu, conseguimos construir uma relação muito mais verdadeira, mais sincera, e por isso mesmo, mais descontraída também. Boa parte deles solta uma pérola quase que diariamente. Isso, claro, rende, para mim, boas risadas. Resolvi, então, falar sobre este ano através destas pérolas.

Olha aí o professor apaziguando uma briga: Algumas das minhas meninas estavam brigando. Daí, falei: vamos parar com isso né... Até porque, ano que vem tá todo mundo junto de novo, mas agora no terceiro ano, vão estar mais mocinhas, lindas, tem de melhorar! Aí abraçamos, ficamos um pouquinho juntos... Daí foram embora, meio chorando, meio sorridentes, até que uma voltou e falou: profee,  acho que não vamos ficar todas juntas não... a mãe de "fulana" até agora não veio renovar a matrícula dela... vamos torcer pra não vir né profee...!

Este aqui tirou uma onda: Um dos meus guris, hoje, em pleno momento de atividade, começa cantar uma musica a plenos pulmões... lá de trás, eu, cheio de razão, retruquei: ah, cantando desse jeito já sei onde vai dar... Ele, imediatamente cai na gargalhada e me mostra o caderno, todo vitorioso - pensou q eu tava laaaaá atrás né profee... 

Minha careca é um dos assuntos preferidos deles: Um dos meus meninos passou a mão na minha cabeça: profee, tá nascendo cabelo! Tá nada Werick - retruquei...! Imediatamente ele chama mais três, que com o tato confirmam: tá nascendo sim, profee... pouquinho, mas tá!

Mais uma da minha falta de cabelo: A correria não tem me permitido passar a máquina no restinho de cabelo... uma de minhas meninas ficou me olhaaaaando e foi logo dizendo: profee, seu cabelo tá cacheando...! 

Nesta aqui sobrou até para a professora de Artes: Volta às aulas: "galera, bora fazer um tour pela escola pra descobrir o que mudou? Demos de cara com a professora de artes, de cabelo novo..." "e aí, já conseguiram notar algo diferente"? - perguntei. "o cabelo da tia Lúcia!" - gritou aquele sapeca...!

Aqui fiquei sem saber se eu era bonito ou feio: Uma das minhas gurias: "professor, domingo vi um homem parecido com o senhor"! Eu aproveito pra provocar: "bonito ou feio"? Ela, sem pestanejar: "feio..." depois, como quem se dá conta do que acabara de falar, emendou: "ele era feio, o senhor é muito mais bonito que ele...

Sobre o criador, olha só que esta daqui falou: Um dos meus sapecas, ontem, estava filosofando comigo sobre Deus... até que nos perguntamos: será que Deus ri? Ela pensou, pensou... acho que ri, profee! Soltei uma gargalhada daquelas... ah, profee, mas acho que ele não ri assim não. Ele dá só um sorrisinho, assim, bem devagarzinho mesmo!

Mais uma sobre o criador: Um dos meninos fez uma traquinagem diante de todos... meia hora depois, desequilibrou-se da cadeira e caiu... Gargalhada geral, menos pra uma das meninas, que me procurou em segredo, com os olhos arregalados: "está vendo, professor? Fez coisa errada, Deus tratou..."!

Este resolveu me ajudar numa investigação: "Estou desconfiado que este aqui colou..." pensei alto analisando umas avaliações que acabara de aplicar. Um dos meus meninos, atento a tudo, sugeriu: "olha a avaliação de quem estava na frente dele, profee. Se tiver igual é porque colou..."

Olha a lei do retorno: Hoje eu, irritado, disse aos meus guris: "quando quiser ir ao banheiro, o correto é dizer assim - professor, preciso ir AO banheiro. Não quero ouvir ninguém dizendo vou No banheiro... Passados uns 20 minutos, meu sapeca gritou: "profee, posso ir AO tomar água..."?

Este aqui só respondeu quando teve certeza: Hoje um dos meus meninos apareceu com uma camiseta do São Paulo e uma mochila do Flamengo. Intrigado, perguntei: afinal, você torce por qual dos dois? Ele me olhou, pensou bastante, senti que teve medo de errar... respondeu, então, com outra pergunta: qual o seu, profee? Flamengo, respondi... ele deu um sorrisão e emendou: "é nois" professor...

É que o silêncio incomoda, eu acho: Sabe aquela hora que a sala fica em silêncio? Aquela tranquilidade? Pois é... num desses momentos, hoje, aquele sapeca, daqui da frente, grita pra uma colega lá de trás: "Samyra!! Conta aquela do rato aí pra nós..."

Até na hora do conteúdo tem pérola: Estávamos conversando hoje sobre o que a letra R faz com o som das palavras qdo "se mete" no meio da sílaba: daí lembramos de gRelha, gRilo, pRato, gRade, etc... Até que ouvi o que já temia: fRamengo, professor!!!

Mais uma: Hoje estávamos conversando sobre o que a letra S faz com a letra E, quando vem depois. Aí as crianças foram lembrando de eScada, eStado, eScola, eStudar, eSmola... tudo muito bom, até um deles levantar e gritar com toda força - eS namorado profee...!

Esta aqui é uma das melhores: Estudando bilhete, hoje, perguntei: o que é um bilhete? É aquele papel que levamos pra casa avisando alguma coisa, respondeu uma das meninas... é aquilo que a professora escreve no caderno para avisar a mãe que a pessoa tá teimando, respondeu outro... tá, mas pra que serve, então, o bilhete, insisti... Pra prejudicar a vida da gente, respondeu, de pronto, o sapeca...!

Acho que nunca rimos tanto como nesse dia: A atividade é do sistema multiplicativo. Multiplica e divide na mesma operação. Era preciso desenhar uns pintinhos que tínhamos acabado de dividir. Todo mundo fez pintinho, o sapeca, com preguiça, fez bolinhas... que pintinho estranho é esse guri? Ralhei! Ainda estão dentro do ovo, profee...!! 

Este, só pensa naquilo: Hoje, um dos meus guris me interpelou: Profee, tem uma balinha aí? Tenho não! Respondi. Aí no seu armário tem, profee, insistiu. Tem nada, e continuei: então, como estávamos falando ontem, tem a questão no NH naquelas palavras. Alguém lembra de alguma?! BALINHA, professor! Gritou o sapeca !!! 

Vou fechar com as três mais bonitinhas do ano: O sapeca lê: Lájima...! Ele pensa, pensa, repete lájima... de repente grita: LÁGRIMA profee, LÁGRIMA...! 

Profee... vc viu que passou no globo repórter sobre o que estamos estudando da Africa? Do BAOBÁ? Lembrei do senhor...! Siiim, eu vi! Lembrei de vocês...! 

O que vocês notaram de diferente entre o filme e a peça de teatro A Bela e a Fera? 
Meu sapeca já grita: Ah, profee, queria que ele se transformasse em príncipe sem apagar a luz...!

Claro que tivemos problemas. Claro que foi um ano difícil também em muitos aspectos, mas como se vê, de muitas risadas também. Estava pensando aqui, enquanto reescrevia essas pérolas, que uma das coisas mais importantes que aprendi este ano é de que agora posso dizer com certeza que, assim como disse nossa mestra Emília Ferreiro, as crianças pensam, sim, sobre a escrita, e, se me permite, professora, acho que elas pensam sobre tudo.

Grande 2018 para todo mundo!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Um ano de atraso

Não dá para continuar de onde parei. Entrei aqui e descobri que estou a um ano sem escrever. Parece que o atropelo da vida tomou conta. Quantas vezes quis contar aqui o que me aconteceu. E aconteceram tantas coisas. Já passou um ano, mas eu lembro de cada uma delas. Não vou contar tudo, porque prometi, desde os primeiros textos, fazer um esforço para não ser cansativo. 

Mas não posso deixar de contar da minha aluna Ester. Eu já não sabia o que fazer com a indisciplina dela. Eu tentava de tudo, pensava, e nada mudava aquela menina. Um dia, depois da aula, fui até sua casa.. “oiii, sou o professor da sua filha...” a mãe me mandou entrar, a menina arregalou os olhos - O  professor veio fazer queixas, deve ter pensado... entrei, tomei café. Ao contrário do que minha assustada aluna pensou, não falei nada de negativo, tirei uns livros da mochila e dei a ela, com a recomendação de me devolver, assim que terminasse de ler. Fui embora sem saber o que aconteceria. Não sei qual foi o milagre, posso dizer apenas que nunca mais tive problemas com a Ester.

Não dá pra esquecer outro episódio que marcou a gente. Tínhamos um problema de uma mentira, que alguém da sala contou e prejudicou uma pessoa. Não sei o que me deu, chamei todos para uma oração, e, no final da aula, a verdade apareceu. Deve ter sido outro milagre. Vai saber...

Nunca mais deixo passar um ano sem escrever. Acumula, agora fica difícil para escolher o que contar. Mas não posso deixar de falar da sala de informática. Lembram-se das olimpíadas? Daquela judoca da medalha de ouro? Foi uma das coisas mais importantes que discutimos. Acho que foi uma das melhores aulas que já dei na vida.

As crianças sabem das coisas e, se for interessante, param para ouvir a gente. E as leituras em capítulos? O livro tinha muitas páginas, mas conseguimos ler praticamente tudo em alguns dias. 

Ah, tem o episódio de um menino que tivemos um problema. Puxa, como fiquei triste vendo-o naquela situação de embate comigo. Eu não sabia o que fazer, ele me enfrentava, gritava, esperneava. Nunca mais tive problemas como aquele, pois recebi, deste episódio, preciosas lições. Quero reencontra-lo um dia desses. Darei um abraço e agradecerei pelo aprendizado.

E o Ederson? Que saudade desse moleque! Sabe quando a sala fica quieta? Pois é, nessas horas ele batia na mesa e começava cantar um daqueles funk’s. As vezes eu ficava irritado, mas na maioria, achava graça. Um dia ele falou que queria ser como eu, fiquei daquele jeito, podem imaginar não é?

E a Ana Vivian? Pensa numa menina brava! Demoramos para nos entender. Depois disso, nossa relação ficou uma delícia. Uma das mais carinhosas comigo! Lembro sempre com carinho.

Estou falando, como perceberam, do ano passado, da minha turma de terceiro ano. Foi um ano difícil, eu não tinha certeza de quase nada. Inseguro em quase tudo. Mas não posso negar, jamais aprendi tanto. Existe, concretamente, um saber que só a prática é capaz de dar. Meus pequenos me ensinaram tanto, tanto... 

Errei, acertei, corrigi, apaguei, consertei muitas vezes. Pensei em sair correndo muitas vezes. Desacreditei muitas vezes. Levantei a cabeça muitas vezes também. Um dia, estava tão difícil as coisas que quase fui embora. Era meu aniversário e a sala estava daquele jeito. De repente, começaram a cantar para mim: “você é especial, quem te deu a vida destruiu a forma não fez outro igual...” pronto, desatei o nó, abraçamos, choramos, e seguimos em frente.

No final daquele ano (2016), recebi uma visita na escola. Eram os pais da Ana Vivian. Me procuraram e me disseram: “professor, viemos lhe agradecer. Nossa filha está lendo...” Nunca esqueci disso, vou levar para vida inteira.

Agora tenho outras Ana Vivian’s, percebo que aprendendo com eles, torno-me, cada dia, um professor melhor. Aprendi que para dar certo com eles, a relação tem de ser verdadeira, sem máscaras, nem mentiras. Eles não respeitam quem não se preocupa com eles. Não reconhecem como referência quem não os coloca em primeiro lugar. 

Neste ano de 2017 trabalhei com duas turmas de segundo ano. Eles, com certeza, conheceram um Jairo melhor, um professor um pouco mais experimentado, talvez por este motivo, tenhamos construído uma relação ainda mais verdadeira, e, exatamente por isso, rendeu muito mais histórias... mas isso é assunto para o próximo texto...!



terça-feira, 21 de junho de 2016

Pisando no meu chão!

Onde eu estava mesmo? Ah, lembrei... Eu fui pra sala de aula no outro dia com meu novelo de linha verde, meus formulários de avaliação diagnóstica e muita, muita fé. Mas fé não dá aula, então, neste caso, eu mesmo teria que resolver isso. A professora Dalva acompanhou-me até à sala. Apresentou-me aos alunos e saiu. Pronto, agora eram eles e eu... Ah sim, já ia me esquecendo, lá existe uma pessoa que trabalha como cuidadora de uma aluna cadeirante. Na hora pensei: “puxa, não me disseram que haveria uma pessoa adulta na sala o tempo todo”. A presença de Carmem na sala rende até hoje frutos maravilhosos, uma parceria que parece que começou faz tempo, mas este é assunto para outro texto.
Fiz, com eles, a atividade com o barbante. Era pra que se apresentassem e dissessem um sonho na vida, no futuro... Levei um susto, muitos deles querem ser policiais. Anotei aquilo, achei que outra hora poderia precisar daquela informação. Em seguida, cantei com uma música com eles e partimos para construirmos juntos, as regras da nossa sala. Eles participaram razoavelmente bem, o que me deixou bastante animado. Apliquei as avaliações diagnósticas de português e matemática.
Este foi um dia interessante. Eles me olhavam com desconfiança, mas acho que eu também os olhava do mesmo modo. Não! Eu estava mais desconfiado que eles. E os outros alunos das outras turmas, então? Achavam que eu era professor de educação física. Um dos meus alunos ao ser questionado no corredor, respondeu: Não, ele não é professor de educação física. Ele é professor mesmo! Anotei aquilo também. É importante, pensei.
Nesta escola reencontrei a professora Patrícia, uma colega dos tempos da graduação. Junto comigo entraram também mais três colegas da UFMT, além de outros profissionais de outras áreas. Isso é bom, inferi, assim dividimos o foco. Acho que consegui, pelo menos não vejo aqueles olhares, sabe... Por falar nisso, meus colegas tratam-me com cordialidade e respeito. A coordenadora Dalva me ajuda muito. Tenho nela respaldo suficiente para permanecer tranquilo. No que tenho precisado, a gestão da escola tem respondido adequadamente.
Feito as avaliações diagnósticas eu tinha agora um grande desafio; tabular e fazer um relatório. É aí que entra em cena uma pessoa que nem vou arriscar adjetiva-la, pois certamente cometerei injustiças. Lembram-se da Vanesa? Então, ela sugeriu que procurássemos, na UFMT, a nossa professora da graduação, a Ana Lúcia. Marcamos um encontro e fomos, Vanesa e eu, encontrar com a professora. Desse encontro eu tinha expectativa de receber algumas orientações apenas. Não foi isso que aconteceu, pelo contrário, ela nos recebeu em sua sala e depois de me ouvir atentamente disse assim: sente-se aí, vamos tabular sua avaliação diagnóstica, juntos. Ficamos juntos por mais quatro horas, pelo menos. De lá, saí com meu relatório pronto, dezenas de materiais, desde caixa de fósforos até livros para subsídio teórico, além, é claro, da certeza de que poderia contar com ela sempre que necessário. Ah, marcamos também em nos encontrar uma vez por semana. Desses encontros estou colhendo preciosas lições, não só pedagógicas, mas para a vida, mas isto é assunto para outro momento.
De relatório na mão, parti para construir meu plano de curso. Precisei revisitar as modalidades organizativas para organizar minha rotina. Isto foi, sem dúvida, mais uma aventura, que pretendo contar na próxima semana...




domingo, 12 de junho de 2016

Parece que foi de repente, mas só parece...!

Já trabalhei como auxiliar de mecânico de ar condicionado, servente de pedreiro, balconista de supermercado, porteiro de condomínio... Enfim, já fui muita coisa, mas nada, nada mesmo que pudesse parecer com professor de crianças. Pedagogia? Fui fazer porque foi o curso que minha nota do ENEM permitiu. Mas, quem me conhece sabe que este tempo na UFMT, de 2011 a 2014, foram os anos mais interessantes da minha vida. Ainda assim, pensava, vou fazer qualquer coisa pra escapar dos pequenos. Crianças?  Deus me livre! Vou batalhar para dar aula na educação superior. Claro que este sonho ainda está aqui, guardado, mas por enquanto deixa isso quieto, não quero cansar vocês...
Então, a graduação acabou e veio esse “concursão” da prefeitura de Cuiabá. Vou lá fazer, tá todo mundo fazendo e não vou pagar nada mesmo... A história deste concurso todo mundo sabe, entre sacanagens e covardias da prefeitura/FGV acabei sendo um dos 187 sobreviventes que conseguiram aprovação. No dia de escolher a escola deixei meu coração decidir, e ele me levou à EMEB Clóvis Hugueney Neto, uma escola novinha em folha aqui no bairro Altos do Parque.
Até então, minha única experiência com crianças tinha sido no estágio, sim, aqueles mesmo do Tereza Lobo que ficaram conosco (Sofia e eu) durante algumas poucas semanas. Amanhã, quero todo mundo na escola, trabalhando, disse veementemente a representante da secretaria de educação. Senhor da glória, o que faço agora? Corri pedindo socorro a uma pessoa querida, a Vanesa. Sentamos, conversamos, reviramos arquivos, fuçamos orientações da SME, do PNAIC, do TRILHAS. Discutimos, escrevemos e fomos, juntos, com meu termo de posse me apresentar à escola. Chegamos. Apresentei-me à diretora, professora Vandelice, que me apresentou também a coordenadora pedagógica, professora Dalva.
Na minha ingenuidade, achava que a professora da minha turma ainda estaria lá no outro dia, me entregaria os planejamentos, ficaria comigo uns dias, para só depois, eu ficar sozinho. Ledo engano. Nesta conversa com a gestão descobri uma coisa que me deixou em pânico. A outra professora já havia sido dispensada, então, no outro dia, pela manhã, a turminha estaria me esperando. Claro que fiz cara de quem era a pessoa mais segura deste mundo, afinal, não poderia dar pinta. Porém, minha vontade era sair correndo dali.
Não corri, fui pra casa, dormi pouco. No outro dia fui conhecer meus alunos. Obviamente, não tinha ideia de como eram os rostinhos deles. Na mochila, eu carregava minhas canetas, meu caderno, um novelo de linha verde e os formulários para avaliação diagnóstica, além de insegurança, receio, curiosidade, mas ao mesmo tempo, muita, muita fé...

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Salvo pelo Cocar de Damião!

Já que não foi DISPONIBILIZADO um momento ou um formulário de avaliação do Seminário de Educação 2013, segue minhas considerações sobre o evento:

O SEMIEDU 2013 recebeu   do cacique Damião Xavante da Terra Indígena Marãiwatsédé o símbolo máximo de sua cultura – O COCAR! Ainda bem.

Os NOVE eventos paralelos fragmentaram o evento e esvaziaram os GT’s. Pelo menos recebemos o COCAR!

Pela sua grandeza, o SEMIEDU não pode servir apenas de palco para apresentação de relatos de pesquisas INACABADAS ou INCONCLUSAS. Apesar disso, Damião nos entregou seu COCAR!

Considerando a quantidade de comunicações orais disponibilizadas nos GT’s e o tempo de cada apresentação, pareceu-nos que, em detrimento da socialização do conhecimento, houve uma maior preocupação com a certificação. Ainda assim, recebemos o PRESENTE de Damião.

O protagonismo do INSTITUTO DE EDUCAÇÃO ficou comprometido, já que os excessivos eventos paralelos se espalharam por outros espaços, dificultando inclusive o acesso dos participantes. O COCAR do cacique está conosco!

Apesar do tema (Des)colonialidade, o que mais se ouviu no lançamento das 22 obras da EdUFMT foram os pronomes de tratamento e menção ao grau de titulação acadêmica. Que bom que Damião nos entregou o COCAR!


Que a entrega deste símbolo tão importante para os POVOS INDÍGENAS não seja transformada num mero ritual. Que nossas ações daqui pra frente correspondam às expectativas de Damião e seu povo. Que os próximos organizadores do SEMIEDU vençam as vaidades dos diversos grupos da instituição e se articulem em prol de um evento que não fuja jamais de sua essência - um SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO.

domingo, 31 de março de 2013

O CRISTO QUE RENASCE!

       Hoje é DIA DA PÁSCOA. São múltiplos os significados, pois as diversas culturas espalhadas pelo mundo se apropriaram a seu modo, deste evento originalmente judaico.
Nasci em uma família cristã protestante. Aprendi a comemorar este dia como sendo aquele em que Jesus Cristo ressurge da morte para a vida eterna. Dia de alegria, renovação espiritual, comunhão, sobretudo, de renovação das forças e esperanças.
Venho refletindo há algum tempo sobre a vida. Mais precisamente sobre a vida de Jesus. Qual o seu legado? O que de fato este homem deixa de importante para nossa vida?
Conferindo sua vivencia através dos evangelhos, suas reflexões e parábolas, algo fica evidente: O Mestre pretendia que os homens refletissem... Pensassem... Analisassem. Questionassem o que estava posto, acabado, formatado. Queria que o Pai se manifestasse aos homens, não pelos ritos, mas pela reflexão. Denunciou as práticas de aprisionamento de consciências pelos discursos vazios e rituais sem sentido.
Apresentou um modo de viver que remete ao projeto inicial do criador, ou seja, que todos vivam juntos, em comunhão, onde, obviamente, não haja espaço para a exploração.
Indicou um caminho que leva ao Pai, não pelas mãos de uma religião interesseira que tem seu fim em sim mesma, pelo contrário, declarou que justamente quando o indivíduo consegue enxergar o outro, como sendo ele mesmo, a comunhão se instala, a paz acontece, o Pai se manifesta.
Considerando a ética do sistema de organização de sociedade vigente, a que se considerar como urgente a ressurreição, não do cristo homem, mas de seus ideais, seu ensinamento e seu exemplo.
          Viva, Jesus Cristo! Viva!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O DEBATE QUE FALTOU!!!


             Li outro dia na coluna de um conceituado cientista político num jornal de grande circulação em Mato Grosso, sobre as eleições em Cuiabá, especialmente dos postulantes ao cargo de prefeito. A crítica do nosso articulista se deu em função do que chamou de falta de propostas, o que segundo ele, comprometeu a qualidade dos programas eleitorais dos dois candidatos que polarizam a eleição na capital.
             Assisto aos programas diariamente, e me arrisquei a discordar do nosso antenado comentarista político. Ora! Proposta não faltou! Nos seus pronunciamentos diários na televisão os candidatos apresentam solução pra tudo... Poderia detalhar aqui as proposições para as diversas áreas, mas não é isso que pretendo.O que faltou na minha modesta opinião é outra coisa. Segue então, algumas perguntas:
-Por que o pronto socorro que já existe não funciona a contento?
-Por que o atendimento nas unidades de saúde é precário?
-Por que não há plantonistas nas unidades de saúde, como propõe o quadro mural?
-Por que as policlínicas não são capazes de atender a população?
-Por que as escolas estão apresentando baixo indice de Ideb?
-Por que as unidades escolares operam precariamente?
-Por que... Por que... e Por que...?
             Penso que antes de proporem ampliação, construção de novos prédios e unidades, é preciso uma profunda análise das questões que potencializam o não funcionamento da estrutura que já existe.
É preciso afiar o bico e romper passagem, pois a portinha da gaiola jamais se abrirá sozinha!!





quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A Hora é Agora!



Cuiabá é praticamente uma pequena metrópole. Sua população já beira 600.000 pessoas. Isso sem considerar a região metropolitana, que já toca os 900.000 habitantes. Desses mais de meio milhão que vivem na capital, cerca de 400.000 são eleitores, ou seja, são considerados aptos, pela justiça eleitoral a escolher seus representantes dos poderes executivo e legislativo.
Pois bem. Quando se analisa a política numa perspectiva de se promover o bem comum, focado sempre no interesse coletivo e a busca da promoção social, percebemos que bastaria ao postulante dos cargos públicos uma bela dose de consciência política.
Não é preciso muito esforço para perceber que na prática não é bem assim. Com um mínimo de criticidade, perceberemos que o que está em jogo é sempre os interesses de alguns, em detrimento do coletivo, sejam esses interesses institucionalizados ou não.
A nossa câmara de vereadores historicamente não contribui de forma relevante para os interesses dos cuiabanos. Basta fazer uma análise das últimas quatro legislaturas pra perceber que não há um grande projeto que tenha ido de encontro aos anseios das pessoas de uma maneira geral.
O mandato que se encerra ao final deste ano não foge à regra. A venda da companhia de saneamento, o loteamento de ruas no bairro do Porto, a mudança no funcionamento do sistema de transporte coletivo, só pra citar três exemplos, deram a tônica desta última legislatura, ou seja, foram decisões tomadas sem uma ampla e honesta consulta à população.
Embora particularmente não morra de amores pelo sistema vigente de organização da sociedade brasileira, não posso negar que é este que está em vigor. Diriam alguns mais pessimistas que o capitalismo é irreversível. Mas não é disso que quero tratar. Pretendo apenas ressaltar que neste sistema, quando não se está satisfeito com determinado serviço, troca-se o servidor. As eleições livres no Brasil, embora eu ainda não dispense as aspas, dá plenos poderes ao eleitor de promover essa mudança.
Então com um mínimo de reflexão crítica, e considerando a quantidade de candidatos que pleiteiam uma vaga na Câmara Municipal, é de se esperar que os eleitores repercutam essa análise, e repensem se não é chegada a hora de fazer no mínimo, uma renovação no quadro de vereadores.
É claro que quem almeja realmente alguma mudança, dirá que é preciso antes de qualquer coisa mudar as estruturas do poder que favorecem e estimulam essa dinâmica, no que eu concordo literalmente. Mas as eleições estão aí, e neste momento podemos minimamente promover uma mudança no quadro que compõe o nosso legislativo municipal. O que não podemos é esperar que aqueles que já demonstraram a que vieram, continuem a nos “representar”. A hora é agora!!
É preciso afiar o bico e romper passagem, pois a portinha da gaiola jamais se abrirá sozinha!

sábado, 11 de agosto de 2012

Meu Pai me Apresentou um Cara!!


              Hoje é dia dos Pais! O Mercado   impulsionado  pelo sistema que o sustenta, insinua que este é o dia perfeito, para filhos perfeitos entregarem caros presentes para seus pais, que por sua vez, são perfeitos também.
             Não sei quanto a você, mas comigo não é nada assim. Meu pai não é perfeito, também nunca teve a pretensão de ser. Eu, menos ainda.
            Olimpio. Este é o seu nome.  Ele mesmo. Olimpio Souza, como gosta de se apresentar! Com ele aprendi que o ser humano pode tropeçar várias vezes, cair, mas com uma dose de humildade, tende a se levantar. E se levanta mais forte – afinal, a queda traz reflexões e contribuem para o amadurecimento.
            Olimpio também me  ensinou a chorar. Homem chora, quer seja de emoção por ouvir Ozéias de Paula e suas cem ovelhas, ou de tristeza pelos netos que se foram precocemente!
         Ele também me apresentou um cara, aliás, O Cara. Jesus Cristo. Não esse aí da moda, da teologia da prosperidade, que está sempre a serviço dos interesses humanos e suas conveniências. Não este milagreiro, que no final das contas, só serve mesmo pra isso. Não este jesus insano, que castiga aqueles que preferem não segui-lo. Não este que é capaz de punir seus filhos, só porque resolveu questionar os códigos de conduta d'alguma elite interesseira. Não este que exige fidelidade a alguma ideologia que no final só contribui para privilegiar alguém em detrimento de outro. Não este que prefere os ricos perto de si, e mantém os pobres à distância. Não! Não! Não. Mil vezes não...
             Olimpio me apresentou um cara simples, filho de José e Maria, homem que sentiu as dores e as misérias humanas, e por causa disso mesmo, pela sua vivência, veio com uma missão muito maior de que a simples ideia da redenção, remissão, ou expiação dos pecados. Veio nos propor um modo de vida, norteado pela humildade, e que recomenda o olhar pra dentro de si, como única forma de compreender o outro, e por conseguinte, o mundo!
Feliz Dia dos Pais, Olimpio. E a todos os pais do mundo!

domingo, 8 de julho de 2012

O PROBLEMA DA CULPA!


Outro dia,  por ocasião  do término  de uma  disciplina  optativa  (Educação de Jovens e Adultos), Amanda Carolina e eu fomos orgulhosamente mostrar nosso texto ao nosso Manoel Motta, que nos tinha proposto apresentá-lo num seminário, a fim de verificar como tínhamos apreendido o conteúdo que nos fora apresentado ao longo daquelas semanas.
Nosso  texto tentava trazer  uma  análise de como o pensamento  de  Paulo Freire pode contribuir para a compreensão do analfabetismo no Brasil ao longo de sua história. Pois bem. Ao ler nosso texto rapidamente, concluiu: 
-Ficou ótimo, muito bom, muito bom. Só não gostei dessa palavra aqui:
-Qual palavra? - perguntamos.
-Esta aqui - CULPA. Não gosto desta palavra! 
Não tivemos mais tempo pra conversar sobre isso. Apresentamos nosso trabalho e tiramos nota máxima. A partir daí comecei a refletir sobre a tão rejeitada palavra. CULPA!
É claro que não tenho pretensão de refletir na mesma perspectiva do nosso "velho" Motta, mas não posso negar que as minhas próprias reflexões me levaram a lugares interessantes.
Ontem ouvi pelo rádio uma preleção sobre Família. O palestrante discursava a respeito da importância de se valorizar os filhos, a esposa, o marido, etc. Dava exemplos de como ele próprio havia aprendido a valorizar a esposa, e o quanto isso o fazia feliz. Lembrou seus ouvintes que as tarefas do lar devem também ser compartilhadas pelo esposo. Fez citações bíblicas, reafirmando conceitos de amor e dedicação, principalmente da parte do marido, pois, segundo ele, é sempre o lado mais rude.
Recordou o tempo em que a família se sentavam em volta da mesa, e que o jantar era só uma desculpa, pois o que tinham de fato, era um momento para conversar, compartilhar emoções, desejos, e, por que não, de vez em quando uma discussão, que apesar de tornar o ambiente por vezes hostil, nunca superava a alegria por estarem juntos. Enfim, com sua análise dessas, não é difícil concluir: a família passa realmente por uma difícil situação.
Porém,  penso que seria redundante finalizarmos nossa reflexão, apenas com a constatação do nosso eufórico palestrante. É preciso ir além. Se não for assim, a CULPA da construção desse cenário desolador recai sobre os próprios membros da família. Afinal são eles que decidiram não conversar mais, e a também não dedicar um pouco mais de tempo para estarem juntos. Será que é isso mesmo?
 Partindo  de uma  perspectiva da  busca da  essência das  coisas,  não  podemos   deixar de acrescentar a essa reflexão do nosso comunicador, o fato de que as engrenagens que fazem funcionar o sistema pelo qual a nossa sociedade está fundamentada, carrega e sustenta valores que não são exatamente o que a família precisa para se sustentar como família, de fato. Os indivíduos são induzidos, salvo algumas exceções, a valorizar o consumo, o ter, o possuir, enfim, o individualismo. Logo, a família, enquanto lugar de compartilhar, dividir, sentir e integrar, fica sempre em segundo, terceiro plano.
Penso que somente com a desvelação dessa realidade, ou seja, a compreensão de que estamos inseridos num contexto, meticulosamente articulado para apenas reafirmar aquilo que o próprio sistema precisa para se manter, é que vislumbramos uma luz no fim do túnel. Ninguém vai, como num passe de mágica, ou por um milagre, como queiram, mudar de direção. Olhar o outro implica reconhecimento. Requer análise. Auto-análise. 
Meu  caro  Motta, não  há mesmo um CULPADO. O que existe é uma lenta, quase imperceptível construção, na qual os indivíduos são inseridos e tendem em uma análise acrítica, conceberem tudo como natural, e quando algo dá errado - e sempre dá - elegerem de pronto, um CULPADO
É preciso afiar o bico e romper passagem, pois a portinha da gaiola jamais se abrirá sozinha!


sexta-feira, 8 de junho de 2012

EU SOU AQUILO QUE EU DESEJO SER...


                    Muitos falam em Espiritualidade, muitos colocam acima de qualquer coisa aquilo que sua religião ou doutrina prega como algo já determinado e acabado.
                    Para mim, Espiritualidade é um estado de consciência, pelo qual desenvolvemos nossa alma, reconhecemos em nós a vida e a mesma vida em tudo e em todos.
                     Podemos perceber que essa busca tem crescido muito nos últimos anos. Seja nas religiões tradicionais ou nas alternativas, as pessoas passaram a buscar respostas às suas inquietações interiores.
                     Alguns buscam essa paz através do silêncio, encontrando um estado de consciência superior ao da fala a ao do pensamento, silenciar para que algo maior se expresse. Outros acham que uma canção ou até o vento leve pode ser capaz de nos livrar de preocupações cotidianas e elevar a consciência. A meditação também é alternativa para essa busca, a atenção acalma a mente, o corpo e a alma. E assim cada um inicia a sua caminhada rumo ao autoconhecimento. Uma ligação fecunda entre o Corpo e a Alma, seja pelo qual meio escolher. Quer sejam as práticas espirituais, oração, mantra, meditação ou pela devoção a um santo protetor. 
                       Cabe a cada um encontrar seu próprio caminho. Ouvindo talvez a natureza que nos traz no seu silencio o som que nos toca a alma.
                        O que importa é elevar a consciência, iluminar a Alma e desfrutar a Paz interior. Eu acredito nessa conexão Corpo e Alma... Eu e o Sagrado.
(FERREIRA, Acilene)

sábado, 12 de maio de 2012

Feliz Dia das Mães, DONA DIVA!!!

Pensei em homenagear as mães com um texto aqui no blog. Lembrei-me de Maria, da Sagrada Família. Talvez fosse o modelo ideal, afinal foi mãe do maior intervencionista da história.
De súbito, lembrei-me de uma senhora negra, analfabeta, cristã protestante, mãe de seis filhos... Dona Diva, minha mãe...
O que escrever dessa mulher? Os dedos parecem que ficam gelados e a cabeça confusa.
Poderia estar sendo injusta com ela, afinal não consigo me lembrar de tudo. Posso esquecer-me de alguma coisa importante, e comprometer toda a descrição.
Mas de uma coisa me lembro. Não se trata de uma mulher perfeita, falar a verdade, ela nunca quis ser. Não tem nada a ver com aquela ilustre representante da sagrada família. Apenas conduziu ao lado de Olimpio (que de José também não tem nada... mas deixa pra lá...) um projeto de família.
Sem nunca ter frequentado a escola, nos conduziu até onde deu, ou até onde seu universo permitiu. E, não podemos reclamar. Fomos mais longe do que ela poderia supor.
Poderia aqui descrever as noites acordadas, ou de “sono leve” dos sábados ao longo do tempo, dos cuidados naquelas horas difíceis...
Mas não é necessário... Ela não precisa e nem pretende nada disso... Só me lembrei de umas coisas mais ou menos assim:
          "Ooow gurizinho terrívee... não concorda com nada", dizia ela...
Mas também já a peguei falando pra alguem assim:
          "Esse meu filho Jairo é incrívee...
Incrível é a senhora, que nunca frequentou escola, mas do alto de sua sabedoria, sempre nos norteou no caminho do bem e da justiça...
           Feliz Dia das Mães, dona Diva, e todas as mães do mundo!!!

terça-feira, 8 de maio de 2012

O Teatro da "Naturalização" !

                    Uma classe de alunos está reunida em uma sala de aula. Eles aprendem determinada disciplina que está sendo repassada pelo professor. Este, por sua vez recebeu esta seleção de conhecimentos de algum nível hierárquico superior. Além de um evento normal, à luz do senso comum, é perfeitamente natural.
                    Pois bem. Como   tenho dito   em outras oportunidades, a perspectiva teórica que me parece mais coerente , é sem dúvida àquela que busca na história, a construção da realidade, ou seja, não posso desconsiderar, em qualquer análise, as implicações historicamente construídas.
                    Quando se busca as origens históricas dos termos classe, sala de aula e currículo, percebemos sua associação com controle e disciplina. A partir do século XVI, quando as idéias calvinistas eram amplamente difundidas na Europa trazendo consigo uma nova visão acerca da religião predominante, percebe-se claramente a difusão do conceito de que: a obtenção da salvação estava diretamente ligada à questões de: eleição, prosperidade, obediência e disciplina.
                     Neste   período, o termo    classe já era   conhecido nas universidades deste continente, mais precisamente na França e Escócia. Como esses países eram predominantemente influenciados pela doutrina reformadora de joão Calvino, não é exagero afirmar que: as classes eram agora divididas em prósperos e pobres, que por sua vez possuía um currículo diferenciado, e agora, estavam reunidos em sala de aula. Vale lembrar que temos a partir daí, a diferenciação curricular, pois permaneciam na escola os mais abastados, e a estes era direcionado os conhecimentos tidos como avançados, enquanto que para os pobres sobrava apenas os conhecimentos religiosos e as virtudes humanas.
                      Com   o  advento da  Revolução Industrial,   temos   a massificação   dessa  diferenciação. A classe que detinha os meios de produção era direcionada para determinado currículo, ou seja, determinada seleção de conhecimentos, enquanto que a classe operária permanecia na escola apenas o necessário para a reprodução da mão  de obra.
                      Vale lembrar que a revolução francesa traz consigo o interesse de um maior controle social, e com a entrada do proletariado nos sistemas de ensino, vimos emergir um currículo que privilegiou somente a classe dominante, ou seja, foi elaborado  um currículo igual para classes predominantemente diferentes.
                       A     história   demonstra   que  o currículo, as classes,   as salas  de aula,  e  o processo  de escolarização como um todo, possui uma inegável associação com relações de poder.
                       A escola sempre   foi utilizada para afirmar, ou reafirmar determinado modelo de sociedade. O fato da seleção de conhecimentos ser feita à parte, ou seja, longe dos reais interesses principalmente das classes economicamente desfavorecidas não é mero acaso, ou simplesmente natural. É um processo construído ao longo da história, e sempre implicou em relações de poder.
                         Quando  analisamos que o  processo de organização e  "transmissão" de conhecimentos, se tornou um processo natural, e o significado que o aluno faz da realidade  não são levados em consideração, percebemos que é urgente a reformulação de conceitos.
                        A perspectiva de currículo que nos foi apresentada é a política cultural. Nesta abordagem, mesmo que ainda  considere  o educador como ator ativo na mediação do conhecimento, não despreza o lugar do aluno no cenário. Considera-se ainda, que a proposta curricular, ainda que previamente elaborada,  assume durante o percurso, outros significados, valores e símbolos que modificam e singularizam cada trajetória. Estas modificações são próprias desta perspectiva, e não necessariamente são consideradas negativas, pelo contrário, sem elas a própria essência da perspectiva política cultural estaria comprometida.
                         O currículo   agora não   pode ser materializado   concretamente,   pois compreende   um conjunto amplo de práticas, que só é possível perceber à luz de uma análise abstrata. Não foge, e nem quer fugir da formação de indivíduos críticos e com uma noção clara de justiça social, que nessa perspectiva é necessária, para a formação de uma sociedade verdadeiramente democrática.
                         O desafio é enorme, pois sabemos que as práticas educativas, apesar dos avanços, ainda são norteadas pela compreensão tradicional de currículo, ou seja aquela que que não tem nenhum compromisso com a criticidade.
                           É somente com a desvelação desses conceitos, e aí a implicação histórica é fundamental,  teremos a possibilidade do indivíduo reconhecer que lugar ocupa de fato nesse teatro da naturalização, e potencializar a mudança, tão necessária à sociedade brasileira.
                        É preciso afiar o bico e romper  passagem,   pois a portinha da gaiola jamais se abrirá sozinha.                      

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Viva o TRABALHO!... E o TRABALHADOR também!!

Um VIVA!!!! A esta AÇÃO HUMANA CONSCIENTE que age sobre a REALIDADE, TRANSFORMANDO-A, e TRANSFORMANDO-SE.

Isso é CONSCIÊNCIA. Uma característica exclusivamente humana. Ela não pode ser DOADA, VENDIDA, nem muito menos ROUBADA...!!!

sábado, 21 de abril de 2012

Desigualdade Educacional!

Recebi um e-mail  com este texto: clique aqui para acessar o link ATO DE REPULSA

                  É verdade que há discrepâncias no Brasil nessa relação trabalho x renda. Mas é verdade também que com um razoável nível de honestidade intelectual, devo analisar a realidade a partir de uma concepção teórica. E a que me parece mais coerente é aquela que analisa a realidade concreta a partir de uma construção histórica, ou seja, não é possível confrontar a realidade desconsiderando suas raízes historicamente construídas.
                       Pois bem. Não é difícil discordar do fato de um operador de elevadores do congresso nacional ganhar mais que um oficial da FAB. Nem que um motorista do gabinete de algum congressista tenha salário superior a um piloto da Marinha por exemplo. Difícil talvez seja associar todas essas e outras discrepâncias ao modelo de estado brasileiro, que ao longo do tempo, desde a proclamação da República - só pra citar um determinado período histórico - vem construindo essas desigualdades, aliás, a maior de todas, e que a meu ver, constrói todas as outras. A desigualdade educacional.
                        É sabido que ao longo da história republicana brasileira o que se teve no país foi uma educação classista, excludente e desigual. Não é culpa deste ou daquele governo. É uma construção histórica em função do modelo de estado e de organização social. 
                        Os índices de analfabetismo desde àqueles 80% do primeiro censo da República nunca foram enfrentados a ponto de zerá-los, haja vista que ainda são mais de catorze milhões. O último relatório da ONU (PNUD) aponta o Brasil como o terceiro pior índice de desigualdade no mundo, além de: baixíssima mobilidade social, diferença de renda entre homens e mulheres, uma população negra que tem contra si todos os indicadores de desenvolvimento humano, entre outros. Isso sem levar em conta os números do último censo IBGE. Ainda temos, segundo este estudo, mais de 9% do total da população com mais de quinze anos na condição de analfabetos. Mais de 3,5 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos estão fora da escola. Dos que ingressam no ensino fundamental, mais de 20% ficam pelo caminho, ou seja, não concluem. De todos que terminam esta etapa do ensino apenas pouco mais da metade concluem o ensino médio. Da população jovem, ou seja, dos 18 aos 24 anos, pouco mais de 13% cursam o ensino superior, destes, menos de 8% são negros.
                              Analisando esses números, não é difícil compreender que seus reflexos atingem diretamente os mais pobres, pois  as classes mais abastadas sempre puderam custear seus estudos, e, é claro, não é preciso retroceder muito tempo para depararmos com a Igreja Católica, financiada pelo estado educando basicamente a elite brasileira.                               
                       As políticas educacionais sempre nortearam suas ações de modo  à preterir a Educação Pública. Mesmo os recentes esforços no sentido de "democratizar" o ensino superior, o que se tem é uma notória preferência do governo em aplicar recurso público nas universidades privadas, ao invés de investir diretamente nas universidades públicas. Isso sem falar no percentual do PIB pra Educação que não passa de 4%, e na proposta do novo PNE, que aliás, já está com mais de um ano de atraso na sua aprovação pelo Congresso, prevê até o final de sua vigência, ou seja, até 2020, investimento de apenas 7% do Produto Interno Bruto. Quando se compara o investimento por aluno no Brasil, os números são piores que os de Chile e CUBA, só pra citar dois exemplos da América Latina.                         
                           Sem uma política de enfrentamento direto nestas desigualdades, não será possível equilibrar aquelas. Aliás, estudos recentes comprovam que investir em Educação da População, é a melhor alternativa pra qualquer nação diminuir desigualdades sociais.
                          O desafio é grande. É preciso atacar as causas. E repito. A consciência política é a única alternativa, para que o indivíduo possa se conscientizar de sua condição, se incomodar com ela, compreender que é possível avançar, e mais do que isso. Se libertar.
                           É preciso afiar o bico e romper passagem, pois a portinha da gaiola jamais se abrirá sozinha!!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Desafios da Educação Infantil!

               
                      Pois não é que o Módulo Pedagogia da Infância engrenou! O que me parecia um tanto quanto confuso no início deu lugar a um feixe de luz. Exatamente. Não há efetivamente uma maneira de apreender novos conceitos sem uma reflexão honesta sobre aquilo que se tem como verdade. 
                   O que ficou evidente é que existe UM ABISMO entre as conclusões dos estudos recentes de renomados pesquisadores da Educação Infantil, que busca enfocar as especificidades desta etapa da educação básica, e o que se tem na prática nas diversas instituições espalhadas pelo Brasil.
                   O que se tem disponível no país em termos de Legislação, é suficiente para que qualquer cidadão possa exigir dessas instituições o mínimo de qualidade, desde  à estrutura física até o que se disponibiliza no currículo. 
                    Fica evidente  a desinformação da sociedade - e aí não posso deixar de lembrar que entre as classes populares isso é marcante - no que se refere às Diretrizes que norteiam a educação infantil no Brasil. O senso comum ainda impera. Exemplo disso está no conceito que se tem de creches, ou seja, a idéia do mero cuidar, desconhecendo a riqueza curricular que se tem disponível em Lei para essa faixa etária.
                    A questão fica ainda mais grave quando se analisa que dentro das instituições de educação Infantil ainda têm profissionais que também desconhecem os direitos da criança, no que se refere à educação nos primeiros anos de vida, e aí também consideram esta etapa da educação básica como mero assistencialismo à famílias que não podem cuidar de seus filhos em casa.
                     É grande o desafio dos pedagogos. Pois não se trata de lutar por amparo legal. Isso já existe. O que precisa ser mudado são as práticas educativas, e isso depende de cada um, individualmente. A criança não é objeto. Pelo contrário, é sujeito. Sujeito de Direitos.
                      A Educação Infantil é direito da criança previsto na Constituição Federal. E, se a sociedade ainda não se deu conta disso para cobrar das instituições acesso e o mínimo de qualidade, cabe aos educadores, que agora, libertos pelo conhecimento, e não mais alienados pelo senso comum que tanto prejudica e limita a sociedade brasileira, promover de fato uma educação que contemple o desenvolvimento integral da criança.
                      È preciso afiar o bico e romper passagem, pois a portinha da gaiola jamais se abrirá sozinha.



terça-feira, 17 de abril de 2012

É possível "SER MAIS" !!





A parcela da população brasileira, que segundo o último censo IBGE estão fora do processo de escolarização, seja total ou parcialmente, não têm negado apenas o acesso ao ensino.
Neste caso, o modelo de Estado brasileiro impõe-lhes severas limitações no TER (acesso aos bens e serviços) e, principalmente no SER. O "ser mais".
Somente uma Educação que intenciona CONSCIÊNCIA POLÍTICA os farão cientes de sua condição, e potencializará a MUDANÇA/TRANSFORMAÇÃO.
É preciso afiar o bico e romper passagem, pois a portinha da gaiola jamais se abrirá sozinha!!

domingo, 8 de abril de 2012

Parabéns Cuiabá!! (Com Flor Ribeirinha)

Não é por nada não...
É o coração que bate forte com esta MANIFESTAÇÃO de IDENTIDADE CULTURAL!
Viva Cuiabá, VIVA!!!!!


grupo de siriri Flor Ribeirinha - São Gonçalo Beira Rio


sexta-feira, 6 de abril de 2012

ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA


                       A Disciplina Organização e Funcionamento da Educação Básica (OFEB), ministrada pelo Professor Delarim Martin Gomes no segundo ano do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), tem a finalidade de oferecer ao discente do Curso de Pedagogia, condições de compreender e analisar o funcionamento da Educação no Brasil, bem como sua organização, sobretudo no que diz respeito à Educação Básica.
                  Uma das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Pedagogia prevê que o discente do referido curso terá que: atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade justa, equânime e igualitária. Quando se analisa a sociedade brasileira percebe-se que de fato ela se caracteriza como injusta e mal gerida. A saída para esta problemática sem dúvida, é a Educação.
                Porém, a Educação e a Política são interdependentes, ou seja, para avançar na educação, a sociedade depende de decisões políticas, por outro lado, as opções políticas dependem do grau de educação da classe política e da sociedade. Isto pode ser verificado quando se analisa exemplos de países que em determinado momento histórico fizeram opção pela educação de seu povo, e o resultado disso é que em pouco tempo de investimento maciço nesta área, os indicadores de qualidade são surpreendentes.
                     No caso da sociedade brasileira é percebido um atraso de mais de um século em relação aos países desenvolvidos. Ao longo de sua história, o Brasil direcionou suas políticas educacionais para a exclusão, ou seja, optou pela educação das elites, institucionalizando assim uma educação para ricos e outra para pobres.
                     O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova é um referencial de organização escolar no Brasil, sobretudo em sua clara defesa de um Sistema Nacional de Educação, ou seja, que rompa de vez com este modelo elitista e contemple a Educação brasileira como um todo.
                          É notória a influência dos pioneiros na Constituição Federal já a partir de 1934, e a última Constituição – 1988 – representa sem dúvida a expressão máxima do consenso político. Um grande avanço em relação ao que se tinha previsto até então. A Educação como Direito Social, a atribuição de cada ente federado, os recursos previstos no orçamento público, a formação e valorização dos professores, são apenas algumas das conquistas sociais previstas na Lei Maior do país, que foram extraídas do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.
                           Dentre as críticas ao modelo escolar brasileiro, se destaca a que aponta o sistema educacional como descentralizado, ou seja, a ausência de um Sistema Nacional de Educação, como já previa os pioneiros. Somente com a criação deste Sistema será possível um salto de qualidade, pois facilitaria a gestão. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN – tem por finalidade regulamentar o que a Constituição já prevê, porém de maneira genérica, ou seja, delimita especificamente o que cada ente federado, a saber, União, Estados, Distrito Federal e Municípios terá responsabilidade, tanto na organização pedagógica quanto na distribuição dos recursos.
                        O Censo Escolar é um importante mecanismo de controle da qualidade da educação no Brasil. Através do censo, o Ministério da Educação anualmente coleta dados sobre a escola, os alunos, os professores e as turmas. Os tópicos vão desde a estrutura física do prédio até a quantidade de alunos matriculados. Os dados são coletados e enviados ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – Inep – que é ligado ao Ministério da Educação. Este por sua vez utiliza esses dados para gerenciamento de programas como Dinheiro Direto na Escola, Fundeb, entre outros. É também um importante mecanismo de controle da sociedade.
                        Para cumprir o princípio constitucional de que o Estado deve garantir a qualidade da educação de todos os cidadãos, o Brasil, a partir de 2007 implantou o Plano de Desenvolvimento Escolar (PDE). O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) é um programa do PDE, e visa fornecer um diagnóstico e transformar em números o desempenho de cada instituição de ensino no país. Operacionalizando cálculos que medem o desempenho do aluno e o tempo de permanência na escola, é possível medir em nota, o desempenho de cada escola. Os resultados ficam disponíveis à sociedade nos diversos portais do Ministério da Educação.
                      Para garantir o que a LDBEN determina sobre financiamento para cada ente da federação, o Estado brasileiro regulamentou em 2006, passando a valer a partir de 2007, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB. Este Fundo de natureza contábil visa garantir que a porcentagem de impostos destinados por Lei à educação seja garantida. O Fundo prevê ainda o montante de recursos que serão destinados ao pagamento dos profissionais do Magistério, bem como dos demais profissionais da Educação. Através de uma equação entre o Censo Escolar e a previsão de recursos para cada etapa de ensino, é possível medir quanto custa cada aluno em determinada etapa e também o custo total por aluno no Brasil. Em relação aos mecanismos de controle da sociedade, foram criados os Conselhos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
                       A crítica ao modelo de financiamento, principalmente no que se refere ao percentual do PIB destinado à Educação foi formalizada no Custo Aluno Qualidade inicial – CAQi. Este movimento é composto por diversas entidades ligadas à Educação e a sociedade civil e procura sistematizar quanto de fato o Estado brasileiro deveria investir por aluno nas diversas etapas e modalidades de ensino. O CAQi dentre outras reivindicações sugere que o percentual do PIB investidos em educação cheguem aos 10%, e não 7% como prevê o Projeto de Lei do novo PNE 2011 – 2020.
                   Para garantir o pressuposto da Lei de Diretrizes e Bases sobre um sistema de avaliação da Educação, o Estado brasileiro a partir de 2006 criou e implementou mecanismos de avaliação: a Provinha Brasil e a Prova Brasil. A primeira tem por finalidade oferecer aos educadores um diagnóstico de sua instituição de ensino. Não divulga seus resultados para a sociedade. Já a Prova Brasil tem caráter classificatório. Apesar de também servir como instrumento de acompanhamento pedagógico, seus dados são classificados e disponibilizados nos portais do Inep.
                       Apesar das críticas em relação à organização, ao financiamento e a avaliação da Educação no Brasil, é possível perceber alguns avanços. Os índices, apesar de expressarem em números a realidade da Educação brasileira, o que para algum viés ideológico não é suficiente para medir a qualidade, o Censo Escolar, o IDEB, a Provinha Brasil, a Prova Brasil/ SAEB são os únicos mecanismos de controle que se dispõe para medir com alguma eficiência a qualidade do ensino no país. No que diz respeito à valorização dos professores, é notório também um ganho real, ainda que tímido nos salários. Apesar de haver um clamor em torno de aumentar o percentual do PIB destinado à Educação para pelo menos 10%, é preciso urgentemente também uma discussão em relação à gestão, e, principalmente tapar os ralos da corrupção. Isso refletiria de maneira mais efetiva na Organização e no funcionamento da Educação no país, e melhoraria a qualidade do ensino para os brasileiros e elevaria nossos indicadores educacionais perante outras nações do mundo.