domingo, 30 de setembro de 2012
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
A Hora é Agora!
Cuiabá é praticamente uma pequena metrópole. Sua
população já beira 600.000 pessoas. Isso sem considerar a região
metropolitana, que já toca os 900.000 habitantes.
Desses mais de meio milhão que vivem na capital, cerca de 400.000
são eleitores, ou seja, são considerados aptos, pela justiça
eleitoral a escolher seus representantes dos poderes executivo e
legislativo.
Pois bem. Quando se analisa a política numa
perspectiva de se promover o bem comum, focado sempre no interesse
coletivo e a busca da promoção social, percebemos que bastaria ao
postulante dos cargos públicos uma bela dose de consciência
política.
Não é preciso muito esforço para perceber que na
prática não é bem assim. Com um mínimo de criticidade,
perceberemos que o que está em jogo é sempre os interesses de
alguns, em detrimento do coletivo, sejam esses interesses
institucionalizados ou não.
A nossa câmara de vereadores historicamente não
contribui de forma relevante para os interesses dos cuiabanos. Basta
fazer uma análise das últimas quatro legislaturas pra perceber que
não há um grande projeto que tenha ido de encontro aos anseios das
pessoas de uma maneira geral.
O mandato que se encerra ao final deste ano não foge
à regra. A venda da companhia de saneamento, o loteamento de ruas no
bairro do Porto, a mudança no funcionamento do sistema de transporte
coletivo, só pra citar três exemplos, deram a tônica desta última
legislatura, ou seja, foram decisões tomadas sem uma ampla e honesta
consulta à população.
Embora particularmente não morra de amores pelo
sistema vigente de organização da sociedade brasileira, não posso
negar que é este que está em vigor. Diriam alguns mais pessimistas
que o capitalismo é irreversível. Mas não é disso que quero
tratar. Pretendo apenas ressaltar que neste sistema, quando não se
está satisfeito com determinado serviço, troca-se o servidor. As
eleições livres no Brasil, embora eu ainda não dispense as aspas,
dá plenos poderes ao eleitor de promover essa mudança.
Então com um mínimo de reflexão crítica, e
considerando a quantidade de candidatos que pleiteiam uma vaga na
Câmara Municipal, é de se esperar que os eleitores repercutam essa
análise, e repensem se não é chegada a hora de fazer no mínimo,
uma renovação no quadro de vereadores.
É claro que quem almeja realmente alguma mudança,
dirá que é preciso antes de qualquer coisa mudar as estruturas do
poder que favorecem e estimulam essa dinâmica, no que eu concordo
literalmente. Mas as eleições estão aí, e neste momento podemos
minimamente promover uma mudança no quadro que compõe o nosso
legislativo municipal. O que não podemos é esperar que aqueles que
já demonstraram a que vieram, continuem a nos “representar”. A
hora é agora!!
É preciso afiar o bico e romper passagem, pois a
portinha da gaiola jamais se abrirá sozinha!
sábado, 11 de agosto de 2012
Meu Pai me Apresentou um Cara!!
Hoje é
dia dos Pais! O Mercado impulsionado pelo sistema que o sustenta,
insinua que este é o dia perfeito, para filhos perfeitos entregarem
caros presentes para seus pais, que por sua vez, são perfeitos
também.
Não sei
quanto a você, mas comigo não é nada assim. Meu pai não é
perfeito, também nunca teve a pretensão de ser. Eu, menos ainda.
Olimpio.
Este é o seu nome. Ele mesmo. Olimpio Souza, como gosta de se
apresentar! Com ele aprendi que o ser humano pode tropeçar várias
vezes, cair, mas com uma dose de humildade, tende a se levantar. E se
levanta mais forte – afinal, a queda traz reflexões e contribuem
para o amadurecimento.
Olimpio
também me ensinou a chorar. Homem chora, quer seja de emoção por
ouvir Ozéias de Paula e suas cem ovelhas, ou de tristeza pelos netos
que se foram precocemente!
Ele
também me apresentou um cara, aliás, O Cara. Jesus Cristo. Não
esse aí da moda, da teologia da prosperidade, que está sempre a
serviço dos interesses humanos e suas conveniências. Não este
milagreiro, que no final das contas, só serve mesmo pra isso. Não
este jesus insano, que castiga aqueles que preferem não segui-lo.
Não este que é capaz de punir seus filhos, só porque resolveu
questionar os códigos de conduta d'alguma elite interesseira. Não
este que exige fidelidade a alguma ideologia que no final só
contribui para privilegiar alguém em detrimento de outro. Não este
que prefere os ricos perto de si, e mantém os pobres à distância.
Não! Não! Não. Mil vezes não...
Olimpio
me apresentou um cara simples, filho de José e Maria, homem que
sentiu as dores e as misérias humanas, e por causa disso mesmo,
pela sua vivência, veio com uma missão muito maior de que a simples
ideia da redenção, remissão, ou expiação dos pecados. Veio nos
propor um modo de vida, norteado pela humildade, e que recomenda o
olhar pra dentro de si, como única forma de compreender o outro, e
por conseguinte, o mundo!
Feliz Dia
dos Pais, Olimpio. E a todos os pais do mundo!
domingo, 8 de julho de 2012
O PROBLEMA DA CULPA!
Outro
dia, por ocasião do término de uma disciplina
optativa (Educação de Jovens e Adultos), Amanda
Carolina e eu fomos orgulhosamente mostrar nosso texto ao nosso
Manoel Motta, que nos tinha proposto apresentá-lo num seminário, a
fim de verificar como tínhamos apreendido o conteúdo que nos fora
apresentado ao longo daquelas semanas.
Nosso
texto tentava trazer uma análise de como o
pensamento de Paulo Freire pode contribuir para a
compreensão do analfabetismo no Brasil ao longo de sua
história. Pois bem. Ao ler nosso texto rapidamente, concluiu:
-Ficou
ótimo, muito bom, muito bom. Só não gostei dessa palavra aqui:
-Qual
palavra? - perguntamos.
-Esta
aqui - CULPA. Não gosto desta palavra!
Não
tivemos mais tempo pra conversar sobre isso. Apresentamos nosso
trabalho e tiramos nota máxima. A partir daí comecei a
refletir sobre a tão rejeitada palavra. CULPA!
É
claro que não tenho pretensão de refletir na mesma perspectiva do
nosso "velho" Motta, mas não posso negar que as minhas
próprias reflexões me levaram a lugares interessantes.
Ontem
ouvi pelo rádio uma preleção sobre Família. O palestrante
discursava a respeito da importância de se valorizar os filhos, a esposa, o marido, etc. Dava exemplos de como ele próprio havia aprendido a valorizar a esposa, e o quanto
isso o fazia feliz. Lembrou seus ouvintes que as tarefas do lar
devem também ser compartilhadas pelo esposo. Fez citações bíblicas, reafirmando conceitos de amor e dedicação, principalmente da parte
do marido, pois, segundo ele, é sempre o lado mais rude.
Recordou
o tempo em que a família se sentavam em volta da mesa, e que o
jantar era só uma desculpa, pois o que tinham de fato, era um momento para conversar, compartilhar emoções, desejos, e, por que
não, de vez em quando uma discussão, que apesar de tornar o ambiente
por vezes hostil, nunca superava a alegria por estarem juntos.
Enfim, com sua análise dessas, não é difícil concluir: a
família passa realmente por uma difícil situação.
Porém,
penso que seria redundante finalizarmos nossa reflexão, apenas
com a constatação do nosso eufórico palestrante. É preciso ir
além. Se não for assim, a CULPA da
construção desse cenário desolador recai sobre os próprios
membros da família. Afinal são eles que decidiram não conversar
mais, e a também não dedicar um pouco mais de tempo para estarem juntos. Será
que é isso mesmo?
Partindo
de uma perspectiva da busca da essência das
coisas, não podemos deixar de acrescentar a
essa reflexão do nosso comunicador, o fato de que as engrenagens que
fazem funcionar o sistema pelo qual a nossa sociedade está
fundamentada, carrega e sustenta valores que não são exatamente o
que a família precisa para se sustentar como família, de fato. Os
indivíduos são induzidos, salvo algumas exceções, a valorizar o
consumo, o ter, o possuir, enfim, o individualismo. Logo, a família,
enquanto lugar de compartilhar, dividir, sentir e integrar, fica
sempre em segundo, terceiro plano.
Penso
que somente com a desvelação
dessa realidade, ou seja, a compreensão de que estamos inseridos num
contexto, meticulosamente articulado para apenas reafirmar aquilo que o
próprio sistema precisa para se manter, é que vislumbramos uma luz
no fim do túnel. Ninguém vai, como num passe de mágica, ou por um
milagre, como queiram, mudar de direção. Olhar o outro implica
reconhecimento. Requer análise. Auto-análise.
Meu
caro Motta, não há mesmo um CULPADO. O que existe
é uma lenta, quase imperceptível construção, na qual os
indivíduos são inseridos e tendem em uma análise acrítica, conceberem tudo como natural, e quando algo dá errado - e sempre dá - elegerem de pronto, um CULPADO.
É
preciso afiar o bico e romper passagem, pois a portinha da gaiola
jamais se abrirá sozinha!
sexta-feira, 8 de junho de 2012
EU SOU AQUILO QUE EU DESEJO SER...
Muitos falam em Espiritualidade, muitos colocam acima de qualquer coisa aquilo que sua religião ou doutrina prega como algo já determinado e acabado.
Para mim, Espiritualidade é um estado de consciência, pelo qual desenvolvemos nossa alma, reconhecemos em nós a vida e a mesma vida em tudo e em todos.
Podemos perceber que essa busca tem crescido muito nos últimos anos. Seja nas religiões tradicionais ou nas alternativas, as pessoas passaram a buscar respostas às suas inquietações interiores.
Alguns buscam essa paz através do silêncio, encontrando um estado de consciência superior ao da fala a ao do pensamento, silenciar para que algo maior se expresse. Outros acham que uma canção ou até o vento leve pode ser capaz de nos livrar de preocupações cotidianas e elevar a consciência. A meditação também é alternativa para essa busca, a atenção acalma a mente, o corpo e a alma. E assim cada um inicia a sua caminhada rumo ao autoconhecimento. Uma ligação fecunda entre o Corpo e a Alma, seja pelo qual meio escolher. Quer sejam as práticas espirituais, oração, mantra, meditação ou pela devoção a um santo protetor.
Cabe a cada um encontrar seu próprio caminho. Ouvindo talvez a natureza que nos traz no seu silencio o som que nos toca a alma.
O que importa é elevar a consciência, iluminar a Alma e desfrutar a Paz interior. Eu acredito nessa conexão Corpo e Alma... Eu e o Sagrado.
(FERREIRA, Acilene)
sábado, 12 de maio de 2012
Feliz Dia das Mães, DONA DIVA!!!
De súbito, lembrei-me de uma senhora
negra, analfabeta, cristã protestante, mãe de seis filhos... Dona Diva, minha
mãe...
O que escrever dessa mulher? Os dedos
parecem que ficam gelados e a cabeça confusa.
Poderia estar sendo injusta com ela,
afinal não consigo me lembrar de tudo. Posso esquecer-me de alguma coisa
importante, e comprometer toda a descrição.
Mas de uma coisa me lembro. Não se trata
de uma mulher perfeita, falar a verdade, ela nunca quis ser. Não tem nada a ver
com aquela ilustre representante da sagrada família. Apenas conduziu ao lado de
Olimpio (que de José também não tem nada... mas deixa pra lá...) um projeto de
família.
Sem nunca ter frequentado a escola, nos
conduziu até onde deu, ou até onde seu universo permitiu. E, não podemos
reclamar. Fomos mais longe do que ela poderia supor.
Poderia aqui descrever as noites
acordadas, ou de “sono leve” dos sábados ao longo do tempo, dos cuidados naquelas
horas difíceis...
Mas não é necessário... Ela não precisa
e nem pretende nada disso... Só me lembrei de umas coisas mais ou menos assim:
"Ooow gurizinho terrívee... não concorda com nada", dizia ela...
Mas também já a peguei falando pra alguem assim:
"Esse meu filho Jairo é incrívee...
Incrível é a senhora, que nunca frequentou escola, mas do alto de sua sabedoria, sempre nos norteou no caminho do bem e da justiça...
Feliz Dia das Mães, dona Diva, e todas as mães do mundo!!!
"Ooow gurizinho terrívee... não concorda com nada", dizia ela...
Mas também já a peguei falando pra alguem assim:
"Esse meu filho Jairo é incrívee...
Incrível é a senhora, que nunca frequentou escola, mas do alto de sua sabedoria, sempre nos norteou no caminho do bem e da justiça...
Feliz Dia das Mães, dona Diva, e todas as mães do mundo!!!
terça-feira, 8 de maio de 2012
O Teatro da "Naturalização" !
Uma classe de alunos está reunida em uma sala de aula. Eles aprendem determinada disciplina que está sendo repassada pelo professor. Este, por sua vez recebeu esta seleção de conhecimentos de algum nível hierárquico superior. Além de um evento normal, à luz do senso comum, é perfeitamente natural.
Pois bem. Como tenho dito em outras oportunidades, a perspectiva teórica que me parece mais coerente , é sem dúvida àquela que busca na história, a construção da realidade, ou seja, não posso desconsiderar, em qualquer análise, as implicações historicamente construídas.
Quando se busca as origens históricas dos termos classe, sala de aula e currículo, percebemos sua associação com controle e disciplina. A partir do século XVI, quando as idéias calvinistas eram amplamente difundidas na Europa trazendo consigo uma nova visão acerca da religião predominante, percebe-se claramente a difusão do conceito de que: a obtenção da salvação estava diretamente ligada à questões de: eleição, prosperidade, obediência e disciplina.
Neste período, o termo classe já era conhecido nas universidades deste continente, mais precisamente na França e Escócia. Como esses países eram predominantemente influenciados pela doutrina reformadora de joão Calvino, não é exagero afirmar que: as classes eram agora divididas em prósperos e pobres, que por sua vez possuía um currículo diferenciado, e agora, estavam reunidos em sala de aula. Vale lembrar que temos a partir daí, a diferenciação curricular, pois permaneciam na escola os mais abastados, e a estes era direcionado os conhecimentos tidos como avançados, enquanto que para os pobres sobrava apenas os conhecimentos religiosos e as virtudes humanas.
Com o advento da Revolução Industrial, temos a massificação dessa diferenciação. A classe que detinha os meios de produção era direcionada para determinado currículo, ou seja, determinada seleção de conhecimentos, enquanto que a classe operária permanecia na escola apenas o necessário para a reprodução da mão de obra.
Vale lembrar que a revolução francesa traz consigo o interesse de um maior controle social, e com a entrada do proletariado nos sistemas de ensino, vimos emergir um currículo que privilegiou somente a classe dominante, ou seja, foi elaborado um currículo igual para classes predominantemente diferentes.
A história demonstra que o currículo, as classes, as salas de aula, e o processo de escolarização como um todo, possui uma inegável associação com relações de poder.
A escola sempre foi utilizada para afirmar, ou reafirmar determinado modelo de sociedade. O fato da seleção de conhecimentos ser feita à parte, ou seja, longe dos reais interesses principalmente das classes economicamente desfavorecidas não é mero acaso, ou simplesmente natural. É um processo construído ao longo da história, e sempre implicou em relações de poder.
Quando analisamos que o processo de organização e "transmissão" de conhecimentos, se tornou um processo natural, e o significado que o aluno faz da realidade não são levados em consideração, percebemos que é urgente a reformulação de conceitos.
A perspectiva de currículo que nos foi apresentada é a política cultural. Nesta abordagem, mesmo que ainda considere o educador como ator ativo na mediação do conhecimento, não despreza o lugar do aluno no cenário. Considera-se ainda, que a proposta curricular, ainda que previamente elaborada, assume durante o percurso, outros significados, valores e símbolos que modificam e singularizam cada trajetória. Estas modificações são próprias desta perspectiva, e não necessariamente são consideradas negativas, pelo contrário, sem elas a própria essência da perspectiva política cultural estaria comprometida.
O currículo agora não pode ser materializado concretamente, pois compreende um conjunto amplo de práticas, que só é possível perceber à luz de uma análise abstrata. Não foge, e nem quer fugir da formação de indivíduos críticos e com uma noção clara de justiça social, que nessa perspectiva é necessária, para a formação de uma sociedade verdadeiramente democrática.
O desafio é enorme, pois sabemos que as práticas educativas, apesar dos avanços, ainda são norteadas pela compreensão tradicional de currículo, ou seja aquela que que não tem nenhum compromisso com a criticidade.
É somente com a desvelação desses conceitos, e aí a implicação histórica é fundamental, teremos a possibilidade do indivíduo reconhecer que lugar ocupa de fato nesse teatro da naturalização, e potencializar a mudança, tão necessária à sociedade brasileira.
É preciso afiar o bico e romper passagem, pois a portinha da gaiola jamais se abrirá sozinha.
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